Agosto é fraco. Dezembro é irregular. Janeiro custa a arrancar. Qualquer gerente sabe isto da sua empresa — e, mesmo assim, a maioria vive esses meses como se fossem uma surpresa.
A diferença entre uma empresa que atravessa a sazonalidade com tranquilidade e outra que entra em stress todos os anos raramente é o volume de negócio. É ter, ou não, o padrão escrito e planeado.
Encontrar o padrão
Dois anos de histórico chegam. Numa folha simples, por mês: faturação, recebimentos efetivos, e pagamentos totais incluindo salários e obrigações fiscais.
O que costuma aparecer é mais interessante do que se espera. Muitas empresas descobrem que o mês fraco em tesouraria não é o mês fraco em vendas — é o mês seguinte, ou o outro a seguir, porque o efeito chega com o prazo de recebimento. Planear a partir da faturação em vez dos recebimentos é um erro comum e caro.
O calendário de compromissos fixos
Sobrepondo ao padrão de vendas as saídas que não se movem:
- Subsídio de férias, tipicamente em junho.
- Subsídio de Natal, em novembro ou dezembro.
- Entregas de IVA, conforme o regime.
- IRC e obrigações anuais, com o Modelo 22 até 31 de maio e a IES até 15 de julho.
- Seguros e licenças anuais, que muitas vezes se concentram no mesmo mês por acidente histórico.
A sobreposição revela normalmente dois ou três meses no ano em que tudo coincide. São esses que têm de ser preparados com antecedência, e não geridos quando chegam.
O que fazer com meses de antecedência
- Distribuir o que é distribuível. Renovações de seguros e licenças raramente têm de cair todas no mesmo mês. Mudar datas de renovação é gratuito e alivia um pico permanentemente.
- Antecipar faturação legítima. Não inventar faturação: emitir a tempo o que já foi entregue, com particular cuidado nos meses que antecedem os picos.
- Negociar prazos sazonais com fornecedores. Muitos aceitam condições diferentes em meses específicos, quando pedido com antecedência.
- Ter linha de crédito contratada antes de precisar. Negociada em mês tranquilo, custa menos, como se explica no artigo sobre preparar um pedido de financiamento.
O erro que agrava tudo
Cortar despesa no mês difícil. Quando o aperto chega, a reação instintiva é suspender pagamentos — o que transfere o problema para o mês seguinte, agravado, e deteriora a relação com fornecedores precisamente quando se vai precisar deles.
Sazonalidade prevista resolve-se com planeamento. Sazonalidade não prevista resolve-se com improviso caro.